Billy faz 58 ou Quando o cabeça de rola completa ânus
Um dos caras mais geniais do rock dos anos 90 está fazendo aninho e este texto infelizmente não o perdoará.
Hoje, 17 de março, Billy Corgan, aquele arrombado, completa 58 anos. Nascido em Elk Grove Village, Illinois, em 1967, esse corno manso republicano, em 1988, fundou (e desde 2006 passou a afundar) o conjunto de música rebelde Smashing Pumpkins.
Billy é uma pessoa deprimente. Quem o acompanha sabe que é um sujeito detestável e arrogante, características que lhe forneceram a maior humilhação pública que já vi (mais sobre isso adiante). Apesar dos pesares, porém, houve um período da vida em que sua mãozinha roxa (o puto tem uma marca de nascença) era abençoada com o toque de midas da melancolia.

Entre 1991, lançamento de Gish (a primeira bolacha do SP), e 2000, quando encerrou a banda pela primeira vez só pra vilipendiar o cadáver dela a partir de 2006, Billy compôs a crônica de uma geração dodói da cabeça e vendeu mais de 30 milhões de discos. Mesmo eu, que nasci em Recife, cidade que fica a apenas 6700 km de New York, fui capaz de me encantar com a poesia do careca.
Os temas sobre a inevitável passagem do tempo, o sentimento de chegar numa festa depois do final da dança, o sempre presente suicídio, os asbusos e traumas da infância e os dilemas da feiura e da fraca diagramação facial povovam a obra do Smashing Pumpkins. Billy, um poeta nato, cantava com sua voz de pato traqueostomizado mesmo sem saber ficar no tom. Nunca foi um cantor excelente, mas o sanguenozóio o fazia berrar como podia. Isso é lindo porque impacta a gente na alma.
Em contrapartida, o cabeça de rola parece que nasceu agarrado na guitarra. Até hoje, nunca foi reconhecido como um deus supremo das seis cordas, embora não tenha mais ninguém no planeta que toque como ele. Ninguém exceto o japonês James Iha, segunda força criativa dentro do Smashing Pumpkins, sempre eclipsado pelo surto maníaco incessante de seu líder, que não suporta não ser a barbie do rolê.
Quando vieram ao Brasil, em 1998, durante a turnê do disco (obra-prima) Adore, tocaram no extinto Programa Livre, de Serginho Groisman. Billy, no auge da xenofobia branca do primeiro mundo, dava patadas em todos os adolescentes da platéia. Em dado momento, após ter dito que quem compunha suas músicas era um macaco, o gringo foi perguntado sobre quem eram seus ídolos e soltou “meu ídolo costumava ser Romário, mas ele se machucou e agora é Ronaldo”.
Foi aí que ele caiu.
Groisman, já evidentemente putaço, olha pra o pescocinho de pica e manda “você quer conhecer ele, quer conhecer o Ronaldo?”. Ciente de que acabara de cavar sua própria sepultura, Billy devolve um constrangido “Por que essa pergunta? Ele está aqui?”. Hehehe. Nosso amado comedor de travestis estava gravando o Jô Soares Onze e Meia no estúdio ao lado. Quando o artilheiro gordo entrou no palco do Programa Livre, deu pra ver que a alma de Corgan havia praticamente saído do corpo de tanta vergonha. Acho que se ele pudesse, teria simulado um ataque cardíaco pra evitar estar ali.
Os EUA podem ter mísseis atômicos, mas o brasileiro é tinhoso.
Pouco tempos depois, coincidentemente ou não, as coisas começaram a desandar pros Abóboras. Primeiro, Darcy Wretzky, a baixista galega gatíssima, saiu da banda pra se dedicar a seu projeto solo: o alcoolismo. Em 2000, o grupo se separou e Billy foi se fuder em outra vizinhança. Criou uma banda chamada Zwan!, que não deu em nada e, em 2006, reformou o Smashing Pumpkins com o batera original Jimmy Chamberlain, um dos músicos mais fodas da história diga-se de passagem.
De lá pra cá, lançaram vários discos, um pior que o outro. Cabeça de rola envelheceu, ficou enrugado, escolioso e ressentido. Em 2018, depois de anos chamando James Iha de tudo quanto era nome feio na imprensa, convenceu o japonês, que por sinal tem dois cds solo irados, a voltar para o seu conjunto original. Novamente não deu em nada porque as músicas continuaram um lixo.
Então, ano passado, a banda veio ao Brasil pra dois shows com a atual formação, composta por três membros originais (Billy, Iha e Chamberlain), uma guitarrista do Tik Tok e o baixista nepobaby Jack Bates, filho de Peter Hook, do Joy Division e do New Order, apenas duas das bandas preferidas do cabeça de pica.
Tenho contato com uma galera que estava na produção do evento e me disseram o que eu já sabia: Iha é a maior limpeza. Soube que o bicho é tão gente boa que fez questão de ir ver e conhecer a galera da banda de abertura, que foi o Terno Rei. Já Billy não quis falar com ninguém, fez o show e lavrou. Acho que teve medo de Ronaldo aparecer e convidar ele pra uma festinha com suas amigas. Gente muito conservadora é assim, cheia de medo.
Enfim, Smashing Pumpkins é uma bandaça, uma verdadeira instituição do rock triste maculada pela paunocuzice de seu líder rolístico. Escutar o Siamese Dream, de 1993, é uma viagem até hoje. As paredes intransponíveis de guitarra (conta-se que há músicas com até 60 canais de cordas sobrepostos), aquele som de batera sem agudo (a região frequencial dos pratos foi ocupada pelas guitarras) e a voz seca, crua e desesperada de Billy são muito potentes.
É por isso que ainda em pleno 2025 eu prefiro passar batido pelo último quarto de século da história da banda e me concentrar na discografia dos anos 1990. Se puder, faça um favor a si mesme e ouça Mellon Collie and the Infinite Sadness, álbum duplo que eles lançaram em 1995. A bolacha conta, pela única vez na história da banda, com a participação igualitária de todos os membros na composição e gravação das músicas e é uma coisa absurdamente linda de perfeita. Essa porra mudou minha vida.








Dorei 💜
Texto muito bom cara, ri demais aqui.